Tuesday, September 04, 2007
Ainda Indo-europeu
José Eduardo Agualusa, Um Estranho em Goa, 2000
Saturday, September 01, 2007
Indo-Europeu (Público 10 Agosto 2007)
Quando partimos em viagem, todos emalamos um conjunto de expectativas e pré-conceitos face ao destino que nos espera.De igual modo, quando um indiano viaja para a Europa, fá-lo com uma panóplia de imagens e ideias pré-concebidas. Salvaguarde-se a diferença de que, por norma, apenas os Indianos de uma certa condição sócio-económica têm dinheiro para passear por Londres, Paris ou Roma, formando um grupo de turistas mais educados e sóbrios do que grande parte da “ralé” inglesa ou americana que aterra em locais como Goa ou Kerala, sedenta de festas e substâncias tóxicas.
De facto, para o indiano comum, não existe local mais estático e “uneventful” que a Europa Ocidental: não há guerras, revoluções ou mesmo transformações; não há fanatismo religioso nem causas apaixonadas; e o fenómeno de massas mais evidente é o êxodo dos próprios europeus durante as férias para escapar a toda essa realidade deprimente.
Para o viajante europeu, aquilo que mais cuidadosamente leva na bagagem é a noção de que a Índia é uma civilização muito antiga, ancestral. Tão ancestral que a religião e o espiritualismo ainda detêm uma influência decisiva no dia-a-dia das pessoas. Para além disso, leva consigo uma porção variável de orientalismo romântico, mais ou menos condicionado pela Discovery channel ou pelos Lusíadas.
Poderá ainda existir na mala uma certa dose de “paternalismo civilizacional”, uma tendência por vezes subconsciente que pressupõe um “atraso” da Índia perante a Europa em termos de progresso material e moral, apesar de ser - ou precisamente por ser - a cultura mais arcaica.
Partem assim munidos os dois viajantes em direcções opostas, cruzando-se naturalmente nos aeroportos, onde se perscrutam com curiosidade mútua.
De regresso ao lares, passados 15 dias, 3 meses ou 1 ano, quanto do que trazem na bagagem são bugigangas e quanto são memórias preciosas experiências enriquecedoras ou amizades partilhadas. As variáveis são demasiado grandes para qualquer conclusão.
Mas arrisco o seguinte: não são as emoções fortes que caracterizam as reacções dos indianos em trânsito pela Europa. Antes, é recorrente a sensação de tranquilidade e bem-estar, consequência da elevada qualidade de vida e smooth funcitioning da sociedade em geral. Mas o clima e a comida (e a frieza em geral?) tornam-se quase insuportáveis…simplificando, a Europa correspondeu às expectativas (que não eram altas de qualquer maneira), consolidando a auto-confiança e apego aos valores da mother India.
Já o europeu volta com a mala recheada de emoções fortes sendo necessário, por vezes, o repatriamento forçado sob o efeito de sedativos. Raramente fica indiferente perante aquilo que viveu, embora possa decidir nunca mais voltar àquele “país miserável”. Contudo, é mais frequente ter tido um “experiência única” na Índia e ficar com vontade de lá voltar.
Já assisti às mais diversas reacções provocadas por viagens à Índia. Vi-me envolvido em situações-limite, assisti a algumas cenas de violência física ou psicológica que facilmente poderiam ter sido evitadas. Assim, não consigo deixar de escrever duas ou três dicas para aqueles que decidirem encetar viajem.
1. É fundamental interiorizar, antes de partir, que a civilização ocidental não é superior à Indiana; isto apesar do aparente progresso, ordem e bom funcionamento de uma face ao aparente caos, ruptura ou atraso da outra. São duas maneiras diametralmente opostas de estar na vida mas que se complementam e que participam, ambas, de sistemas de moral igualmente válidos.
2. O ser humano destaca-se dos outros animais pela sua capacidade de adaptação a meios diversos. Na Índia, para enfrentar problemas e desafios do quotidiano, é fundamental que o europeu aprenda a pensar como um indiano. Só assim porá de lado o seu sistema de valores e juízos para pensar em moldes mais pragmáticos. Esta alteração fundamental de atitude não significa baixar os braços perante a resolução de questões ou mesmo injustiças que afectem o viajante. Antes, significa não ter medo de se deixar contaminar por uma maneira essencialmente diferente de pensar e encarar a vida, no sentido de encontrar um equilíbrio mais estável e saudável perante a relativização dos problemas e angústias pessoais.
3. Estabilizadas as duas premissas anteriores, o resto desenrola-se com naturalidade. A revolta, a frustração e a impaciência que frequentemente dominam o viajante evoluem do plano pessoal e são relativizados face aos problemas e frágil equilíbrio da sociedade em geral. O viajante deixa de se posicionar sempre do lado de fora da sociedade ou contra ela para sentir que faz parte dela e dos problemas que a afectam.
Há uma máxima Hindu que diz: as três maiores virtudes do homem são: saber ouvir, saber esperar e saber jejuar.
Bem-aventurado o ocidental que sabe ouvir, esperar e jejuar na Índia.
Tuesday, August 21, 2007
Fish and Bird
They bought a round for the sailor
And they heard his tale
Of a world that was so far away
And a song that we'd never heard
A song of a little bird
That fell in love with a whale
He said, 'You cannot live in the ocean'
And she said to him
'You never can live in the sky'
But the ocean is filled with tears
And the sea turns into a mirror
There's a whale in the moon when it's clear
And a bird on the tide
Please don't cry
Let me dry your eyes
So tell me that you will wait for me
Hold me in your arms
I promise we never will part
I'll never sail back to the time
But I'll always pretend you're mine
Though I know that we both must part
You can live in my heart
Please don't cry
Let me dry your eyes
And tell me that you will wait for me
Hold me in your arms
I promise we never will part
I'll never sail back to the time
But I'll always pretend that you're mine
I know that we both must part
You can live in my heart